Pra onde estamos indo?

A divulgação do pior resultado do PIB do Brasil na era do Plano Real representa muito mais do que números. É a confirmação da falha de política econômica centrada nas ações do Estado, defendida e aplicada pelos simpatizantes das teses de esquerda. Também coloca em risco as conquistas que a sociedade brasileira teve com o Plano Real, como inflação baixa e controlada e disciplina fiscal. Mas o que mais preocupa não é o sintoma de uma economia indo em direção ao abismo (sim, ainda não chegamos lá, mas estamos indo, ou seja, tem como piorar mais), mas o receituário para sair desse cenário. Para resumir os resultados do PIB, podemos usar o termo que foi cunhado na era PT: “nunca antes na história desse país”. Ele diz muito do ponto de vista da economia.

Nunca na história desse país tivemos uma queda tão intensa da indústria, do comércio, dos transportes e nas atividades imobiliárias e de aluguel. Já do lado do gasto, a queda do consumo das famílias e da administração pública são os maiores da história. Por fim, é a primeira vez que há queda do PIB dos serviços. Os recordes negativos não param de rechear o relatório de 14 anos deste modelo de gestão no Brasil. Mas tudo isso não deveria estar preocupando o leitor. Essa retração já era esperada e comentamos aqui nessa coluna várias vezes no passado recente. É a visão de futuro que deve preocupar. No meu último artigo, de título “eles não aprendem”, citei os riscos da visão heterodoxa sobre economia. Naquele momento, tínhamos apenas declarações dos mentores econômicos da esquerda sobre como sair da crise. Mas agora temos a materialidade dessa opinião.

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O último projeto apresentado pelo PT para recuperar a economia é de deixar qualquer investidor, empresário e economista preocupado. É o “Plano Nacional de Emergência” (apresentado e aprovado pelo partido no dia 26 de fevereiro). São 22 medidas que podem ser divididas em dois blocos e resumidas em:          i) como gastar mais o seu dinheiro;    ii) como tirar mais o seu dinheiro. No primeiro, estão itens como reajuste do bolsa família, criação de um fundo para reforma agrária, aumentar os gastos no programa minha casa minha vida, revitalizar o PAC, subsidiar o crédito e usar recursos das reservas internacionais para obras de infraestrutura.

No segundo, estão propostas como criar uma alíquota maior de Imposto de Renda, recriar a CPMF, tributar lucros e dividendos, criar um imposto sobre grandes fortunas, um ITR – Imposto Territorial Rural progressivo, expandir o IPVA, dentre outros. Os erros do “Plano” vão desde o diagnóstico de como essa crise se formou e intensificou, como por exemplo bater na tecla de que a culpa é da crise internacional (como sustentar isso quando o mundo cresceu 3,5% em 2015?), até na proposta de sua solução, como não se preocupar com ajuste fiscal e derrubar o juro. Detalhe: não há nenhuma menção a palavra “inflação”. Em resumo, fica claro que o partido que governa o País pretende “dobrar a aposta” para nos tirar da crise. Vale lembrar que esse era o cenário de risco que estava na mesa nas análises anteriores e pode se materializar. Por isso que, quando as investigações da lava-jato se aproximam de um desfecho, o mercado acionário reage de forma positiva. Parece que o melhor indicador antecedente para o futuro de curto e médio prazo do Brasil passou a ser a Justiça Federal.

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