A agenda de 2016

Ao entrar o ano me pergunto se há uma agenda na mesa da presidência do Palácio do Planalto, dessas tradicionais, em papel, pode ser uma com a logo do BNDES ou de alguma empresa estatal. E mais curioso fico ao imaginar o que estaria escrito ali, e quais seriam as propostas econômicas para 2016. Porém, essa curiosidade acaba sendo substituída pela percepção de que ela está marcada apenas com as festividades nacionais, como carnaval, páscoa, olimpíadas e natal. Sim, é possível que a agenda econômica do ano de 2016 esteja vazia, não apenas ali, mas também no Ministério da Fazenda, no Banco Central, no Ministério do Planejamento e de repente até no BNDES (se é que sobrou dinheiro para fazerem agendas). E talvez isso possa até me fazer feliz, momentaneamente. Vejamos se te convenço disso. Que tipo de proposta de reforma tributária poderia sair em uma conjuntura de falta de recursos na União, Estados e municípios? Nunca na história desse país tivemos um estado tão grande e tamanho déficit conjugado em todas as esferas. Claramente seria uma reforma com aumento de impostos.

Que tipo de reforma previdenciária seria aprovada com um governo tomado pelo populismo e com um sistema que se mostra extremamente falho, com o maior déficit da história, e crescente? Seria algo na linha de aumentar as alíquotas de contribuição, sob o discurso “Robin Hood” e muito pouco no combate a sonegação e mais controles na concessão de benefícios. O que falar então da reforma trabalhista? Alguém acredita em uma flexibilização das leis, eliminando o custo Brasil que faz com que as empresas paguem por 2 trabalhadores e tenha apenas 1 em um cenário de desemprego em alta? Certamente viria algo do tipo que obrigaria as empresas a manterem os empregos, sob pena de multa, prisão ou algo semelhante. O que dizer então de uma política monetária austera, comandada por um Banco Central independente, guiado apenas por questões técnicas e sem influência político-partidária? Seria isso possível no exato momento que a autoridade monetária prepara a carta de justificativas para a inflação ter ultrapassado, de longe, a casa dos 4%que é o centro da meta? Não espere um Banco Central independente no horizonte de curto prazo. Ok, vamos falar de investimentos em infraestrutura. Afinal, brasileiro adora ouvir falar que terá investimento público.

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Um PAC 4 por exemplo. Um grandioso projeto de construção de estradas, ferrovias, portos, usinas hidroelétricas e etc. Qual seria a tua percepção de um programa desses em meio a denúncias constantes de corrupção envolvendo construtoras? Aliás, de onde sairia o dinheiro para mais esse projeto estatal mirabolante? Alguma pedalada fiscal ou formação de nova dívida? Não se esqueça que nesse governo atingimos a marca de quase 70% do PIB em dívida, a maior em duas décadas e acabamos de perder a confiança internacional na medida em que o país voltou a ser considerado especulativo. Outra reforma na pauta é a política. Alguma possibilidade ou esperança de mudarmos o sistema nesse momento, com boa parte do Congresso envolto em denúncias de corrupção e desacreditado da população? Todos esses pontos aqui levantados sempre estiveram na agenda econômica e política no Brasil. Mas, a essa altura seria um lucro essa agenda ficar vazia, dado os constantes erros de política econômica que presenciamos nos últimos anos.

Escrito por João Henrique Menegotto e Igor Morais – Vokin Investimentos