Amor à vida: aleitamento materno

 

Há poucos dias uma notícia me chamou muita atenção! Uma mulher de Teresina , Piauí, foi orientada a se retirar da mesa de um restaurante enquanto amamentava o filho . O garçom pediu que ela fosse para o fraldário , ou seja, que se escondesse para alimentar a criança . Essa atitude fez com que eu preparasse um material simples e informativo sobre a importância do aleitamento materno. E mulher nenhuma, deve se sentir constrangida ou com vergonha de realizar esse ato de amor.

O leite materno é sem dúvida alguma o melhor e mais completo alimento para o bebê. Ele possui propriedades imunológicas e nutricionais fundamentais para a criança, além de inúmeros benefícios em longo prazo, como: prevenção de doenças na vida adulta (doenças crônicas não transmissíveis).  A mãe também tem benefícios, alguns são: o fortalecimento do vínculo mãe e filho, e a prevenção de câncer de mama e útero.

Baby Breast Feeding --- Image by © Royalty-Free/Corbis

O aleitamento materno deve ser exclusivo nos primeiros 6 meses (não deve-se oferecer água ou chás), a partir do 6º mês inicia-se a introdução alimentar, mantendo o leite materno até 2 anos ou mais.

Hoje em dia não se recomenda mais o preparo da mama na gestação. Muitos mitos já estão sendo quebrados. O que se recomenda atualmente é deixar a “natureza agir”, pois o corpo da mulher se prepara durante a gestação para a amamentação.

O mais importante é aproveitar a gestação para buscar informação, se preparando para este momento maravilhoso na vida da mãe e do bebê.

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Os primeiros dias após o nascimento do bebê são importantes para que a mãe consiga amamentar por mais tempo. Isso porque é  um momento de aprendizado, o bebê vai aprender a mamar mamando, e a mãe aprendendo com ele, estabelecendo a amamentação bem sucedida.

É fundamental um primeiro contato o quanto antes for possível, fazer uma “pega” adequada, o que irá facilitar todo este processo.

Neste momento todo o apoio é importante, não se devem ofertar chupetas ou mamadeiras (buscando não confundir o bebê), e o seio deve ser oferecido em livre demanda, adaptando-se a frequência e regularidade que o bebê estabelecer. Não há um tempo estipulado e nem uma regra a ser seguida.

Existem muitos mitos em relação ao aleitamento materno, por exemplo: não existe o “leite fraco”, o leite materno é de mais fácil digestão, e a capacidade gástrica do bebê é pequena, por este motivo ele mamará com mais frequência.

Busque sempre informações em fontes seguras.O ideal é conversar com profissionais da saúde capacitados a orientar e solucionar as dúvidas e problemas. Sugiro um consultor em amamentação, que poderá dar este suporte da forma mais adequada.

A mãe deve estar bem hidratada principalmente, com uma alimentação equilibrada, que atenda suas necessidades nutricionais, sem excessos. Cada caso deve ser avaliado em particular, o ideal é a dieta materna ser semelhante a do período gestacional.

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Infelizmente a média nacional é de apenas 54 dias de aleitamento materno exclusivo, o que é preocupante, apesar de todas as vantagens já comprovadas.

O que se contra indica é o excesso de cafeína, o álcool, o fumo e medicamentos sem orientação médica.

A mãe deve ter um bom suporte familiar neste período, para conseguir descansar e manter o estado emocional estável, pois isto sim tem grande influência na produção do leite materno.

Escrito por Camila Lehnhart Vargas – Nutricionista e Consultora em Amamentação.

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Camila é graduada em Nutrição pelo Centro Universitário Franciscano de Santa Maria/RS. Especialista em Nutrição Clínica, com ênfase em Terapia Nutricional – CBES, Porto Alegre/RS. Mestra em Distúrbios da Comunicação Humana, com ênfase em Neonatologia, pela UFSM, Santa Maria/RS. Docente do curso de Nutrição da Unijuí, Ijuí/RS.