Quem paga a conta?

 

Os números fiscais de julho chancelam a outrora percepção de que a situação atual não é boa. E não é apenas no Governo Federal. Atinge Estados, Municípios e empresas estatais. A melhor variável para ilustrar essa “bomba relógio” é a necessidade de financiamento nominal. Dito de outra forma: “quanto faltou de recursos para os governos fecharem as contas, inclusive para pagarem juros de dívida”. Somente no mês de julho foram R$ 72 bilhões, ficando a maior parte a cargo do Governo Federal, com R$ 61 bilhões. Os Estados entraram na dança e sentiram a falta de R$ 9,1 bilhões. E isso não é um resultado pontual, vem aumentando a cada mês e assim deve continuar. Para o leitor ter uma ideia, a falta de caixa em todo o setor público para honrar esses compromissos atingiu a marca dos R$ 502 bilhões em 12 meses, terminados em julho. Sim, nunca na história desse país experimentamos uma situação parecida, e que representa estratosféricos 8,8% do PIB.  O que você tem com isso? Tudo. Seremos nós a pagar essa conta, seja com mais impostos ou com piora da situação social. E por que essa conta não fecha? Porque o Estado não consegue parar de gastar. E por que essa conta continuará a não fechar no futuro? Porque esse déficit presente está virando dívida nova, contribuindo para o estoque aumentar e, com ele, o total de juros que deverão ser pagos no futuro. E por que teremos problemas sociais? Porque, em cenário de juro alto, os investimentos produtivos são menores e com custos maiores, resultando em menor geração de empregos ou com produto ofertado a preço maior.

Além disso, o juro elevado resulta em ganho de capital para quem tem capital, e as classes mais baixas não o possuem. Ao final de alguns anos veremos a piora na distribuição de renda. Somente nesses primeiros sete meses do ano, a dívida do Governo Central (Governo Federal mais Banco Central) já aumentou em R$ 432 bilhões e atingiu os R$ 3,68 trilhões (64,6% do PIB). Uma parte desse ajuste se deve à variação cambial (R$ 55 bilhões). Em relação à dezembro de 2013, a elevação da dívida foi de quase R$ 1 trilhão. É uma deterioração muito rápida e que não irá passar desapercebida pelos analistas internacionais (leia-se agências de classificação de risco). Mas o que teremos pela frente? Com a economia fraca, a arrecadação de tributos irá limitar a capacidade do ajuste fiscal estancar esse cenário negativo. Claro, não estou contando com corte de despesas. Mas não acho que estou cometendo nenhuma heresia diante das últimas notícias de liberação de verbas para Deputados Federais, reajustes de salários e diversas outras “bondades” com o teu dinheiro. Então, nos resta assistir de camarote a escalada da dívida, mês após mês.

01 - agosto

 

E o próximo round será em outubro, quando vencem  R$ 142,9 bilhões de títulos prefixados. O problema aqui não será apenas a emissão de nova dívida para substituir essa mas, sim, o fato de que essa nova dívida entra no estoque com um custo próximo a 14,25%, bem mais alto do que o custo da que está vencendo. O ano de 2016 também não será fácil, pois vencem R$ 419 bilhões dos quais R$ 326 bilhões são prefixados. Ou seja, continuaremos a substituir dívida com juro mais baixo por outra com juro maior. Se o Governo começar a agir de forma séria, o custo será pago apenas por essa geração. Caso contrário, teu filho não irá gostar do que vai receber.

Escrito por Igor Morais e João Henrique Menegotto – Vokin investimentos