Primeiro cai a renda

 

O comércio representa, hoje, 12% do valor adicionado, ou seja, 12% do PIB sem contar os impostos, ocupando mais de 10 milhões de pessoas. Essa participação cresceu 26% desde 2004, quando era 9,5%, e, juntamente com o setor de transportes, armazenagem e correio, é, dos serviços, aquele que mais ganhou espaço na produção nacional. No que tange ao número de empresas, são mais de 1,5 milhão entre super e hipermercados, comerciantes de móveis e eletrodomésticos, combustíveis, veículos, tecido e vestuário, e materiais de construção. Não obstante, menos de 5% dessas empresas concentram três quartos das receitas. Os outros 95% são pequenos estabelecimentos com até 20 funcionários. No primeiro trimestre desse ano, a atividade no segmento caiu 0,3%. O comportamento do setor está intimamente relacionado ao da renda. Quase todo o comércio apresenta uma sazonalidade bem definida. A saber, a atividade cresce muito em dezembro (mais de 20% em geral e chegando a 50% para tecidos e vestuário) devido aos eventos e festividades do final do ano e retorna ao nível normal em janeiro. A exceção são o comércio de veículos, móveis e materiais de construção, coisas que o Papai Noel não costuma dar de presente e cujo ciclo de vida é diferente dos demais. Em abril, houve uma melhora na atividade, principalmente para móveis e eletrodomésticos e para materiais de construção, que está se recuperando após a abrupta desaceleração da segunda metade de 2014. Na segunda-feira, o Serasa divulgará seu indicador de atividade do comércio e poderemos ter uma ideia do que aconteceu em maio. Apesar da relativa melhora em abril, o setor sente as consequências da crise de forma defasada e isso vai acontecer ainda esse ano. Primeiro cai a renda e, depois, a atividade comercial com a forçada economia das famílias em compras no supermercado, vestuário e assim por diante. Tendemos a acreditar que, quando as coisas vão bem, elas ficarão bem para sempre e que, quando elas estão mal, que ficarão mal para sempre. Felizmente, não é assim.

Escrito por Igor Morais e João Henrique Menegotto – Vokin Investimentos